Computador de bolso, você ainda vai ter o seu
Dispositivos que misturam funções de smartphones e laptops serão a febre tecnológica de 2010
O futuro imediato da tecnologia passa pelos computadores de bolso, um nicho de mercado a meio caminho entre smartphones e laptops, no qual tablets, e-readers e netbooks competem para atrair um mesmo tipo de consumidor.
As empresas de tecnologia começam a buscar um novo produto que reúna tamanho reduzido e alta funcionalidade, uma luta ainda sem vencedor travada no campo de batalha da maior feira mundial do setor, a Consumer Electronics Show (CES), cuja 2010 termina hoje, em Las Vegas (EUA).
Se no ano passado foi o ano dos netbooks, minicomputadores de baixo custo, lançados para contentar a quem considerava que os portáteis normais eram sofisticados demais, a mudança de ano constatou que em 2010 vão se popularizar os leitores de livros digitais ou e-readers, que, à margem de sua função literária, trazem outras funcionalidades próprias de um computador para uso diário.
A fronteira entre o computador e o leitor digital ficou definitivamente tênue na CES com o desembarque dos anunciados tablets ou slates, espécies de lousas com tela tátil e de dimensões similares a seus primos netbooks e e-readers que lembram os antigos computadores de mão (PDAs como os palm tops, por exemplo), mas equipados para se transformar em uma plataforma multimídia de bolso e com acesso à internet.
A primeira a disparar nesta direção foi a Microsoft que revelou seu tablet fabricado pela Hewlett-Packard, um protótipo lançado por seu presidente-executivo, Steve Ballmer, na apresentação de abertura desta edição da maior feira do setor.
Ballmer não entrou em detalhes sobre o dispositivo, embora tenha mostrado suas 10 polegadas de tela tátil e explicou que contava com sistema operacional Windows7 e serviria como e-reader e reprodutor de vídeo e teria acesso à web.
Outras versões de tablets exibidas sem data de lançamento no mercado foram o Ultra do fabricante ICD, e a proposta da Dell, uma possível slate com tela de cinco polegadas que parece um smartphone ampliado, embora seus dispositivos tenham apontado na direção de uma ferramenta de conexão à internet mais do que na do conceito exposto pela Microsoft, o mesmo acontecendo no caso da Sony, que mostrou seu modelo ao qual qualificou de visualizador pessoal de internet, onde o usuário estiver.
Os analistas do setor acreditam que a Apple vá dissipar a confusão diante de tantos aparelhos parecidos quando realizar sua primeira apresentação anual prevista para o próximo dia 26 em San Francisco. Tudo indica que a empresa, criadora do Macintosh, do iPhone e do iPod, poderia revelar o que já veio a ser denominado de iSlate, um quadro-negro digital sobre o qual não cessam os rumores e que se espera reúna a funcionalidade do e-reader e dos serviços do netbook.
Alguns analistas duvidam que os tablets ou slates atraiam o interesse dos consumidores num mercado invadido por netbooks e leitores de livros eletrônicos.
– A Apple talvez consiga – disse Van Baker, do Gartner Group.
(DC, 11/01/2010)
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