Turismo fatura semelhante ao setor tecnológico em Florianópolis
Um dia de trabalho numa empresa de tecnologia pode render o mesmo faturamento das areias de Jurerê. O presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), Rui Luiz Gonçalves, explica que as empresas faturam R$ 40 milhões ao ano, o que daria R$ 150 mil por dia útil.
Só uma empresa de grande porte, com sede na Capital, fatura R$ 100 milhões ao ano, ou seja, cerca de R$ 370 mil diários. E sem gerar congestionamentos, falta de água ou demais transtornos típicos do turismo de massa.
– Não queremos rivalizar. Acreditamos num turismo de eventos e negócios, que possa faturar mais, com qualificação melhor e que não seja tão sazonal, aproveitando todo o potencial de Florianópolis como cidade turística.
Gonçalves acrescenta que o setor não precisa de toda a infraestrutura que o turismo demanda e as empresas de tecnologia poderiam faturar ainda mais se não faltasse mão de obra.
No setor supermercadista, é um pouco diferente. O presidente da Associação Catarinense de Supermercados, Adriano Santos, não arrisca divulgar o faturamento médio de uma loja, porque varia conforme o tamanho, a localização e os produtos vendidos. Mas assume que R$ 150 mil num dia é “muita coisa, só para grandes redes”.
Em relação ao comércio, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif), Doreni Caramori Júnior, afirma que é possível esse mesmo faturamento em períodos de pico, como Natal e Dia das Mães.
– É um valor expressivo. Acho positivo, porque quanto mais resultado, mais empregos são gerados, movimenta outros comércios e gira a economia.
Vida dura à beira-mar
PORTEIRO À NOITE, VENDEDOR DE DIA
Elias Antunes da Silva, 34 anos, encara uma jornada dupla no verão. À noite, porteiro de prédio. De dia, vendedor de picolés na praia. Há 13 anos, de outubro a abril, das 9h às 19h, ele percorre as areias da praia de Jurerê. Elias é natural de Chapecó, no Oeste e veio para a Capital em busca de melhores oportunidades de emprego. Na temporada, em dias bons, ele chega a faturar R$ 500. Já nos dias de pouco movimento, às vezes tem até prejuízo.
– Diariamente gasto R$ 50 para manter o serviço. Num dia nublado ou chuvoso, às vezes não vendo nada e tenho que pagar para trabalhar – afirma.
BARMAN AJUDA A FAMÍLIA NO QUIOSQUE
De dezembro a março, o barman Zinei Silva, 26 anos, trabalha com o pai em um quiosque na praia de Jurerê, todos os dias das 7h às 20h. Eles vendem milho verde e bebidas. Nos dias de mais movimento ganham, em média, R$ 1 mil.
– O consumo é maior nos dias de semana. No final de semana, as pessoas saem à noite e bebem. No outro dia só querem se hidratar e não compram muito – afirma Silva.
Segundo ele, o melhor dia de vendas é a segunda-feira. Neste ano, ele já observa uma movimentação maior de turistas na praia em comparação à temporada passada, especialmente entre o Natal e os primeiros dias deste ano.
PRIMOS VÊM EM BUSCA DE DINHEIRO E PARA VER GENTE BONITA
Os primos Wanderly Caetano Carvalho e Adenilson Caetano de Jesus, de Minas Gerais, estão pela primeira vez na Capital catarinense para trabalhar.
– Lá é fraco de trabalho, viemos para ganhar um dinheiro e ver gente bonita – brinca Carvalho.
Eles chegaram em outubro e pretendem ficar até abril. Mesmo sem licença, vendem vestidos, saídas de banho e cangas em Jurerê, das 10h às 19h, todos os dias. Até hoje, no melhor dia de vendas, Carvalho diz que conseguiu tirar R$ 600.
– Tanto faz dia de semana ou final de semana, o movimento é o mesmo. Uma característica curiosa daqui é que os turistas choram muito para comprar – afirma.
As amigas argentinas Ana Maria Duran e Marisa Huarriz dizem que só compram na praia porque o comércio é muito caro. Elas costumam comprar roupas e biquínis para levar de presente para as filhas.
NOVE HORAS DE TRABALHO POR DIA NO CARRINHO DE SUCOS
O gaúcho Darci Ferreira Drum, 39 anos, é morador da Serra Catarinense e passa a temporada em Florianópolis, mas não de férias.
Há sete anos ele vem à capital catarinense em dezembro e fica até final de fevereiro, trabalhando em um carrinho de sucos e coquetéis com seu irmão e sócio. A jornada começa às 10h e termina só às 19h, todos os dias da semana.
– Pra ganhar dinheiro tem que trabalhar bem, não adianta ir embora às três da tarde – destaca o vendedor.
Quando o tempo está fechado, Drum costuma ir a praia e esperar até o início da tarde para conferir se o sol aparece. E em um dia de tempo bom, com bastante movimento na praia, tanto durante a semana como no final de semana, ele tira até R$ 2 mil bruto.
(DC, 12/01/2010)
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