Nasce hoje uma nova febre tecnológica
- quarta-feira, 27 de janeiro de 2010, 10:59
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Após iPod e iPhone, Apple almeja sucesso com o Tablet, último lançamento de Steve Jobs.
Após o iPod e o iPhone, que marcaram a indústria da música digital e da telefonia, a Apple quer causar uma reviravolta no setor editorial com o Tablet, computador a ser apresentado hoje. Foram meses de rumores, até que Steve Jobs, o homem por trás da maçã, lance o produto que chegará às lojas americanas em março.
Segundo a empresa de consultoria Sanford Bernstein, o Tablet deve se transformar automaticamente em um sucesso e pode vender cerca de 3 milhões de unidades em seu primeiro ano, três vezes mais que todos os computadores similares do mercado juntos durante 2009.
Aqueles que já viram o equipamento afirmam que é um elegante computador extra plano e leve, com tela sensível de cerca de 10 ou 11 polegadas e teclado virtual semelhante ao do iPhone. Mas ainda é tudo especulação. A Apple não quer que seja um simples computador portátil. Busca fazer dele uma plataforma para conteúdos editoriais como livros, revistas ou jornais, que permitirá fazer download de textos por um preço ainda não especificado e com um procedimento simples, como hoje ocorre com o iPod e a loja de música online iTunes.
Algumas fontes garantem que a Apple está negociando com editoras como a New York Times, a Conde Nast Publications e a HarperCollins Publishers, de propriedade da News Corporation, para chegar a um acordo de cooperação e vender conteúdos destas empresas no Tablet.
Outras versões indicam que a empresa de tecnologia também mantém conversas com redes de televisão, como CBS e ABC para oferecer seus programas, e que negocia com a produtora de videogames Electronic Arts.
Preço nos EUA ficará próximo a US$ 1 mil
O objetivo é repetir o sucesso do iPod e do iPhone com a mesma fórmula: hardware de design elegante com software e aplicativos atrativos que são os que realmente geram dinheiro à Apple. O iTunes fez disparar as vendas do iPod e transformou a Apple em líder no varejo online de música no mercado dos EUA.
A loja de aplicativos para o iPhone, incluída no iTunes, fez do iPhone um pequeno computador com seus mais de 100 mil programas disponíveis por poucos dólares.
Se a Apple conseguir convencer os consumidores a adquirir seu Tablet, a indústria editorial sairá beneficiada. O setor está há anos sofrendo as perdas pela redução da circulação em detrimento da internet, e ainda busca soluções criativas para que os usuários paguem na rede pelo que estão acostumados a receber de graça. O Tablet tem ainda um longo caminho a percorrer.
Em primeiro lugar, o preço do equipamento está relativamente alto, pois, segundo fontes ligadas à fabricação, será de US$ 1 mil nos EUA. Além disso, a Apple tem que conseguir que os consumidores comprem o Tablet quando muitos netbooks, ebooks e até telefones celulares realizam funções semelhantes pela metade do preço ou até menos.
O Tablet também não é o único computador deste tipo. Durante 2009, cerca de 15 fabricantes de PCs lançaram produtos parecidos e o número poderia chegar a 30 este ano.
– O sucesso dependerá de como o produto se adaptará à vida diária do usuário e se oferecerá conteúdo suficiente para fazer com que valha a pena usá-lo – avalia Henry Lu, presidente da firma taiuanesa Micro-Star Internacional, que fracassou na tentativa de vender um computador parecido há alguns anos.
Um iPhone mais completo?
Ainda sem saberem do que se trata, empresários de tecnologia de Santa Catarina especulam que o Tablet será uma versão maior e mais completa do iPhone, com a opção para leitura de livros virtuais. O conceito não é novo, dizem, mas como é um lançamento da Apple de Steve Jobs, o público pode esperar por grandes novidades.
Para Eric Santos, da Praesto, empresa especializada em mobilidade, o Tablet deve aprimorar o conceito do iPhone, que tem contra si a tela muito pequena para navegação na internet e trabalho com textos e gráficos. Também deve entrar no mercado de livros virtuais.
Henrique Bilbao, sócio da HiMac, empresa de Blumenau que tem uns dos poucos profissionais certificados pela Apple no Brasil, garante que apenas a aparição de Steve Jobs já será um acontecimento, uma vez que o presidente da empresa com a logomarca maçã esteve doente e não aparece publicamente há vários meses.
– Ninguém teve acesso ainda ao que será lançado. Nem mesmo nós que somos certificados – afirma.
Bilbao aposta num iPhone com o dobro do tamanho e mais funcionalidades. Ele espera uma versão superior do celular que revolucionou o mercado de smartphones, por deixar o desenvolvimento de softwares em aberto.
Bilbao lembra de outras revoluções da Apple, como a primeira máquina fabricada em série, tornando a empresa a primeira fábrica de computadores pessoais. O empresário destaca o iMac G3, de 1998, por ter trazido a Apple das cinzas.
– Foi o primeiro equipamento lançado depois da volta de Steve Jobs para a Apple. Rendeu milhões de dólares e desde então a Apple não para mais de crescer – lembra.
Já o iPhone, segundo Bilbao, foi a revolução do computador de mão.
Duelo de gigantes hi-tech
O duelo hi-tech do momento terá mais um round hoje, quando a Apple deverá anunciar seu Tablet. Apple e Amazon disputam corações e mentes de editoras, escritores e leitores no mercado de livros digitais (e-books). Hoje, a Amazon responde por mais de 70% das vendas de leitores digitais (e-readers). O Tablet da Apple será um aparelho bem mais versátil do que o Kindle, da Amazon, e também mais caro, mas vai dar acesso a livros, jornais e outras publicações, para clientes da App Store do iTunes.
Na última quinta-feira, a Amazon antecipou-se ao lançamento da Apple e anunciou a abertura do Kindle a desenvolvedores externos de software. Assim, qualquer um poderá criar aplicativos para o aparelho, programas como os usados nos telefones celulares. Ao criar conteúdo para Kindle, programadores terão direito a 70% do faturamento com as vendas.
Google também entrará na briga
Os aparelhos da Amazon e da Apple são diferentes. O Kindle é um equipamento para ler. Sua bateria tem longa duração e a tela não cansa os olhos. Para os adeptos do Tablet da Apple, jogar videogame e assistir a vídeos será mais importante do que ler.
Mesmo assim, executivos da empresa de Steve Jobs passaram a última semana em Nova York conversando com representantes de grandes editoras. Teriam proposto um acordo mais vantajoso do que o da Amazon para distribuir e-books, no qual a Apple ficaria com uma comissão de 30%.
A entrada da Apple no mercado de e-books dá às editoras a esperança de conseguir negociar melhor com a Amazon. Expectativa que será maior quando o Google entrar na briga.
(DC, 27/01/2010)

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