(Editorial, DC, 06/02/2010)

O presidente da República inaugurou ontem, em Porto Alegre (RS), um empreendimento que, para a economia brasileira do futuro, tem um significado maior do que o de muitas iniciativas bilionárias, públicas ou privadas. O Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada) é a primeira fábrica brasileira de chips, numa iniciativa do poder público em parceria com várias instituições de ensino e pesquisa, com entidades empresariais e, em especial, com a empresa norte-americana Freescale (ex-Motorola). Só o governo federal investiu para este salto tecnológico, nos últimos 10 anos, R$ 450 milhões.

Numa economia global cada vez mais voltada para a tecnologia da informação, o Ceitec propõe-se a desenvolver soluções inovadoras nessa área, com alto padrão de qualidade e a pretensão de competir nacional e internacionalmente. Suas duas áreas – a unidade fabril e a unidade de pesquisa e desenvolvimento – já colocaram no mercado alguns produtos de excelência, como um chip de modulação para o sistema brasileiro de TV Digital, um chip de radiofrequência para a identificação animal voltado para a rastreabilidade bovina e uma família de circuitos integrados em 915 MHz com ampla utilização na identificação eletrônica de bagagens, automóveis e medicamentos, além da tecnologia para o passaporte eletrônico.

A inauguração desse centro coincide com um momento de desafio global representado pela retomada do crescimento e pela diminuição, especialmente nos países emergentes, dos efeitos da crise financeira que abateu mercados, rearticulou as forças econômicas e pode provocar uma redefinição dos polos do poder mundial. Qualquer país que tenha os olhos voltados para a conquista desse novo futuro não pode dispensar empreendimentos como esse. E não pode abrir mão dos esforços públicos e privados para a expansão das tecnologias do conhecimento, sejam elas ligadas à comunicação propriamente dita (como a telefonia de qualidade e a banda larga), sejam as que nascem de empreendimentos como o agora inaugurado Ceitec.

Uma economia que pretenda sobreviver pujante no século 21 deverá, ao lado da promoção e do incentivo das vocações tradicionais – que no Brasil de hoje significa apoio ao setor primário e aos produtos de nosso parque industrial –, buscar os nichos nessa nova economia baseada na produção eletrônica, na expansão da computação e em todos os produtos da era informação. Para o Brasil, que ontem teve inaugurada a primeira fábrica de circuitos integrados em funcionamento na América Latina, esta é a oportunidade para a conquista de conhecimentos específicos e de mercados sofisticados. Empreendimentos como o Ceitec e o da fábrica de semicondutores (joint venture anunciada no fim de janeiro) apontam para a emergência de uma realidade que precisa ser cada vez mais valorizada e promovida.

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