O título do livro é: Da Pequena Toupeira que Queria Saber Quem Tinha Feito Cocô na Cabeça Dela. Você pode até torcer o nariz, mas a garotada pré-alfabetizada vai gostar.

Ele conta a história de um toupeira que, ao colocar sua cabeça para fora da terra, é atingida por um excremento. Furiosa e carregando o dito cocô no cocuruto, ela sai à procura do “autor”. Engana-se você, se pensar que o livro não passa de pura nojeira. Em sua procura, a toupeirinha encontra diversos tipos de animais e, ao investigar, descobre o formato das fezes de cada um deles.

Embora não seja o tipo de livro que mostra os pelos branquinhos do coelhinho e a pela rosada do porquinho, não deixa de ser estímulo à curiosidade científica. Assim como a canção A História do Cocô, de Hélio Siskind, que mostra para as crianças que a “caca” pode, inclusive, transformar-se em adubo. Tanto a publicação quanto a música atingem diretamente crianças que estão começando a lidar de forma autônoma com a questão, tirando as fraldas ou aprendendo a irem sozinhas ao banheiro. Podem servir, então, como introdução para uma conversa sobre higiene.

Além de tratar o tema escatológico de forma divertida, Da Pequena Toupeira é um livro animado. Quer dizer que possui várias abas que, quando puxadas, revelam detalhes das ilustrações. Agregando a interatividade.

Da Pequena Toupeira que Queria Saber Quem Tinha Feito Cocô na Cabeça Dela, de Werner Holzwarth e Wolf Erlbruch.

Companhia das Letrinhas. 24 pgs. R$ 27,50

Trecho da letra da A História do Cocô

Já tô acostumado,

Já tô acostumado a ser pisado,

Maltratado,

Ser jogado pro esgoto,

Ser usado como xingamento,

Palavrão, coisa ruim.

Já tô acostumado.

Ah coitado!

Que coitado o que?

Ele é um cocô!

Ô seu cocô, não fique chateado.

É mesmo,

O que há de errado?

Vou contar a minha história,

Uma triste,

Triste história,

Me chamam de fedido,

Fedido!

Nojento,

Nojento!

Caca,

Caca!

De tudo que é ruim.

Ninguem gosta de mim,

Mas eu não tô nem aí,

Eu sô cocô,

E eu nasci assim.

Já tô acostumado,

cocô,

cocô,

olha o cocô!

Já tô acostumado,

cocococô!

Hihi, cocô!

Hnf, hnf,

Cocô.

Eu existo,

porque vocês são bichos,

que gostam de comer.

(DC, 22/02/2010)

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