Pesquisa e prosperidade
Professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), técnicos da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc) e pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) estão realizando um trabalho, pioneiro no país, digno de nota: um estudo sobre o impacto do cultivo de milho transgênico sobre o meio ambiente e a saúde dos consumidores.
O cultivo de variedades geneticamente modificadas já foi devidamente regulamentado no país. Mas persistem incertezas, justamente pela escassez de trabalhos deste tipo, que acabam por municiar com argumentos questionáveis aqueles recalcitrantes que insistem em contrapor-se ao avanço da ciência.
Para Santa Catarina, em particular, a questão é de grande interesse. O milho constitui o principal insumo da cadeia produtiva do agronegócio, como alimento para aves e suínos. Como o Estado ainda não conseguiu se tornar autossuficiente – este ano, o déficit deve chegar a 2 milhões de toneladas, para uma safra de 3,3 milhões e consumo de 5,3 milhões de toneladas –, os custos de produção da agroindústria aumentam de forma considerável com a importação. Além disso, a previsão é de que em 2011 cerca de 90% do milho plantado no Estado seja transgênico.
O trabalho da UFSC, Epagri e Cidasc permitirá aos próprios produtores – a maioria pequenos agricultores – maior conhecimento sobre as técnicas a serem utilizadas.
Atingir a autossuficiência em milho é vital não apenas para assegurar o aumento da competitividade agroindustrial, como também para elevar os padrões de vida dos que se dedicam a esta atividade. Neste sentido, assim como é necessário elevar a produção, também o é a garantia de preços justos aos agricultores. Nos últimos dois anos, o produto perdeu um terço do seu valor, fato que desestimula a expansão da área plantada. Enfim, o Estado precisa agir de forma integrada, amparando os que produzem alimentos e riqueza.
(Editorial, DC, 23/02/2010)
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