Chip sob a pele identifica animais
- segunda-feira, 15 de março de 2010, 16:38
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Aparelho menor que um grão de arroz será implantado em cães, gatos, cavalos, asnos e burros
939000002013393. Precisamente 15 dígitos. Não se trata de um número correspondente ao código de barras de uma taxa pagável em algum banco. É uma combinação única. E é do Golias, um vira-lata fanfarrão, de pelo preto e olhar pra lá de adocicado. Como ele, todos os animais domésticos de Florianópolis terão de carregar sob a pele um microchip com um número identificador. É lei.
O projeto enviado pelo Executivo foi aprovado pela Câmara de Vereadores da Capital na terça-feira passada. Agora é preciso o prefeito Dário Berger assinar o documento para passar a valer. Cães, gatos, cavalos, asnos e burros residentes em Florianópolis serão obrigados a ter o microchip, disponibilizado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). A Secretaria de Saúde comprou 800 mil transponderes (outro nome do aparelho que tem o tamanho de um grão de arroz) e promete implantar a preço de custo. O valor ainda não foi calculado.
A partir da leitura do número contido no equipamento, acessa-se um banco de dados mundial com todas as informações do animal. Nome, cor, raça, data de nascimento, vacinas, intercorrências e, principalmente, quem é o dono, com endereço, telefone e número de CPF.
– Acho ótimo. Se a minha cachorra fugir, saberão que ela é minha – opina Ana Lúcia Pauletti.
Agora que a cadelinha Cacau completou três meses, Ana Lúcia passeia com ela diariamente na Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis.
Donos zelosos como Ana não estão na mira da prefeitura, apesar de também estarem enquadrados na lei.Caso deixem seus cãezinhos soltos pelas ruas, serão acionados. Mas o principal objetivo é evitar que animais sejam abandonados e vítimas de maus-tratos.
Não há dados sobre a quantidade de cães e gatos de rua na cidade. O que se sabe é que a Diretoria do Bem-Estar Animal recebe em média 50 ligações diárias, com denúncias deste tipo. Foram 4.012 relatos de violência entre 2005 e março de 2010.
– Em casos de mordedura, o dono costuma dizer que o cão não é dele. Agora, não terá como fugir – acrescenta Maria da Graça Dutra, diretora de Bem-Estar Animal e autora do projeto de lei.
Servirá para fazer o censo dos animais nas cidades
Coordenador do Hospital Universitário da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Lages, Aury Nunes de Moraes entende que o banco de dados, se abastecido corretamente, poderá servir para diagnosticar a população de animais, com contagem dos bichos, levantamento de raças e de doenças. Segundo ele, não há contraindicação à implantação do microchip, como rejeição do organismo ou dor em demasia na hora da aplicação.
Golias, microchipado em 27 de outubro do ano passado, faz valer o que o professor garante. Brinca como qualquer cachorro-bebê. Tem sete meses e tornou-se o mascote do CCZ. Na nuca, não há sinais que indiquem a intervenção. Só se sabe que ele é um cão high-tech ao passar a leitora. O equipamento apita e o visor enumera: 939000002013393.
(DC, 15/03/2010)
Até no alazão
O veterinário Rudnei João de Souza está acostumado a implantar o microchip em cavalos. Ele já fez o procedimento em 50 animais, em Florianópolis, no ano passado, bem antes da aprovação da lei.
Na última sexta-feira, contratado pelo dono de um macho da raça crioulo, ele microchipou o cavalo, em São José, na Grande Florianópolis, cidade que ainda não tem a prática regulamentada.
A reportagem do DC acompanhou o procedimento. O veterinário raspou o pelo do animal, desinfectou e aplicou a injeção. Tudo durou menos de um minuto. O cavalo mexeu a cabeça e patas apenas na hora da picada. Logo se acalmou e não mais reagiu.
– É fundamental fazer a assepsia na pele, porque como a agulha é grossa, na hora da inserção, ela pode levar algum material ou microorganismo que está na pele do bicho e isso sim pode provocar uma infecção – afirmou.
Cavalos que participam de competições já são obrigados a ter o registro eletrônico.
(DC, 15/03/2010)
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