Um ambiente que concentra universidade, institutos de pesquisa e micro, pequenas, médias e grandes companhias. A reunião não é apenas física, mas estratégica: alianças entre esses “players” impulsionam o desenvolvimento e a criação de tecnologias e permitem que essas companhias se consolidem.

Conhecidos como parques tecnológicos, vários desses núcleos se expandem pelo Brasil. Em São Paulo, há 11 com credenciamento provisório no SPTec (Sistema Paulista de Parques Tecnológicos), iniciativa do governo do Estado de São Paulo para dar suporte a parques, atrair investimentos e promover a geração de novas empresas de base tecnológica. Outras 19 localidades também têm planos de implantação.

“É uma oportunidade de aproximar a pesquisa da universidade e o setor produtivo”, avalia o secretário do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.

Na esfera federal, a criação e a consolidação de empresas intensivas em tecnologia em incubadoras e parques tecnológicos é ação prioritária do governo. Para 2010, a previsão é o lançamento de uma chamada pública de R$ 110 milhões para apoio a parques, segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), Ronaldo Mota.

O orçamento do MCT prevê mais R$ 140 milhões, frutos de emendas parlamentares, para a implantação de parques nos Estados de Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

Crescimento

O ministério estima que haja 74 iniciativas de parques tecnológicos no Brasil -25 delas em operação e o restante em processo de implantação ou em fase de elaboração de projetos.

Na avaliação de Mota, o cenário ideal -”mas fora da realidade”- seria o país contar com um parque em cada cidade com mais de 100 mil habitantes.

Para José Eduardo Fiates, presidente para a América Latina da Associação Internacional de Parques Científicos, ligada ao Conselho Econômico e Social da ONU, o Brasil comporta cerca de 100 empreendimentos desse gênero.

“O país experimentou o crescimento do número de empresas de base tecnológica. Os parques proporcionam acesso a mercados e ao conhecimento, atração de mão de obra e oferta de infraestrutura”, diz Fiates.

O coordenador de Ciência, Tecnologia e Inovação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento de São Paulo, Pedro Bombonato, concorda que o ambiente criado é propício para empresas de qualquer porte. “Este é o charme: ele une pequenas, que estão começando, e grandes, que são âncoras, numa aproximação que é conduzida pelo gestores do parque.”

Pesquisa e clientela direcionam empresa

A primeira analogia que se faz quando o tema é parque tecnológico é com um shopping center. Como as empresas de um mesmo segmento estão reunidas em um único local, têm a capacidade de atrair um consumidor já direcionado.

“Por trás de uma grande empresa [a âncora do parque], existe sempre uma cadeia de pequenas empresas que são suas fornecedoras”, destaca José Raimundo Coelho, diretor técnico do Parque Tecnológico de São José dos Campos (a 97 km da capital), voltado às áreas aeronáutica e espacial.

Lá, a âncora é a Embraer. Junto a ela estão 30 micro, pequenas e médias empresas, além de institutos de pesquisa como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Não apenas o fornecimento para as empresas parceiras, mas a ampliação do leque de clientes é uma das apostas dos empresários que decidem instalar suas empresas em parques tecnológicos.
Apesar de o governo ser o grande cliente da Flight Technologies (veículos aéreos não tripulados), o diretor-executivo da firma, Nei Salis Brasil Neto, 28, diz que a união de um grupo em torno de um tema comum é um dos trunfos para atrair novos consumidores.

“Nosso desafio é ter uma carteira [de clientes] grande. E o parque pode ajudar a alavancar isso”, destaca ele, cuja firma está instalada no Parque Tecnológico de São José dos Campos.
O retorno pode não ser imediato, mas a presença em um empreendimento como esse confere maior visibilidade à firma, destaca Ronaldo Nobrega, sócio-diretor da Pam-Membranas Seletivas (membranas microporosas para filtragem).

“[O parque] se assemelha a uma incubadora. O gestor quer que a empresa cresça, que se destaque”, compara Nobrega.

Universidade

Porém, apesar de essa vitrine para o mercado ser um atrativo para a instalação da empresa no Parque Tecnológico da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – cujas prioridades são as áreas de energia, ambiente e tecnologia da informação-, não foi esse o principal motivo que direcionou o empresário na escolha do local.

A proximidade com a universidade, diz Nobrega, foi o maior impulsionador. É dos bancos da instituição que vêm parte dos estagiários e dos alunos de pós-graduação que abastecem o quadro de colaboradores.
Localização
Motivo semelhante apresenta Maurício Lima, 34, diretor de capacitação do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain), firma de pesquisa localizada no Parque Tecnológico da UFRJ.
“Aproveitamento de talentos” da instituição de ensino, esclarece ele, é um dos maiores benefícios. Sem negar o “posicionamento “premium’” que a localização confere à Ilos. “As empresas pesquisadas conhecem, os parceiros também.”
Gestão de parque e sinergia entre empresas devem ser avaliadas
Para o empreendedor que planeja se estabelecer em um parque tecnológico, não basta olhar a infraestrutura oferecida e as grandes empresas estabelecidas no local.
Na avaliação de José Eduardo Fiates, da Associação Internacional de Parques Científicos, é preciso verificar se o empreendimento estimula o processo de inovação e se conta com um sistema que promova relações entre as empresas e as instituições de pesquisa.
“Existem projetos que não são parques tecnológicos, mas empreendimentos imobiliários. É preciso haver articulação [entre os "players']“, considera Fiates.
Existem projetos que não são parques tecnológicos, mas empreendimentos imobiliários. É preciso haver articulação [entre os "players']“, considera Fiates.
Segundo ele, os gestores dos parques têm de desenvolver um conjunto de projetos para que essa ligação seja feita. E outros para que ela se mantenha.
O diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, Maurício Guedes, complementa. Apesar de destacar que o parque pode ser o ambiente ideal para as micro e pequenas empresas de base tecnológica, estabelecer-se nesse local não é a solução para todas. “É preciso haver sinergia [entre as partes]“, avalia.
(Raquel Bocato)
(Folha de SP, 7/3)

(Sapiens Parque, 15/03/2010)

Matérias relacionadas

Palavras-chave (tags):
 

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>