Do blog de Estela Benetti (28/03/2010)

Entrevista: Helmut Gauges, secretário-geral de Cooperação Financeira do Banco de Fomento alemão KfW
País ensolarado tropical, o Brasil pode liderar a geração de energia solar com tecnologias ao setor. Esta opinião é do secretário-geral de Cooperação Financeira do Banco de Fomento alemão KfW, Helmut Gauges, que esteve na Eletrosul, há poucos dias, para assinar termo de compromisso de financiamento ao projeto Megawatt Solar, uma cobertura de placas fotovoltaicas nenhum prédio da estatal , em Florianópolis, em parceria com o Insituto Ideal, GTZ e UFSC. O sistema vai Gerar 1 GWh por ano, o suficente para atender 400 residências. O investimento será de R $ 13 e R $ 7 milhões virão do KfW, a fundo perdido.
Em entrevista ao Diário Catarinense, Gauges disse que esse projeto pode ser o primeiro passo para o Brasil avançar na energia solar, elogiou o projeto de Estádios Solares e disse que seu país tem interesse especial em apoiar energias renováveis.

Qual é a Importância do Projeto Megawatt Solar para o Brasil?

Helmut Gauges _ Esse é o primeiro projeto que temos de Enegia solar em cooperação com o Brasil. É pioneiro nessa tecnologia. O País tem apenas 0,2 MW instalado de energia solar. Na Alemanha, temos instalados quase 6 mil MW, que isso somos um país com pouco sol. Imagina qual é o potencial do Brasil. O mercado ainda não descobriu o que um Eletrosul e o Instituto Ideal vão identificar primeiro. Nós estamos apoiando essa tecnologia. Os alemães são entusiasmados com o setor de energias renováveis e, principalmente, com energia solar. Temos muita experiência na Alemanha e o nosso banco KfW esta financiando muitos programas no nosso país Para apoiar a geração solar. Por isso podemos oferecer esse know-how para os países com os quais temos cooperação.

Quanto o banco está Investindo em Energias Renováveis na Alemana e no exterior?

Helmult Gauges _ Na Alemanha, ano passado, Financiamos 300 milhões de euros em projetos de Energias Renováveis. Países Em outros, esse é o primeiro projeto solar que estamos financiando. Temos muitos planos em outros Países. Temos grandes projetos de usinas solares para o Norte da África, que vão demorar muito tempo para serem executados.

Quais são as Energias Renováveis que a Alemanha está priorizando?

Helmut Gauges _ Eólica e solar. A eólica tem uma presença maior até agora é porque tem uma maior viabilidade econômica na Alemanha. Há mais ventos que sol no nosso país. No ano passado, a geração eólica já respondia por quase 7% da matriz energética do país, e a solar, 1%.

Na sua avaliação é que é, qual é a Importância do Instituto Incentivar Ideal para as Energias Renováveis no Brasil e América Latina?

Helmut Gauges _ Esse instituto tem um papel-chave para uma difusão do conhecimento desse tipo de energia. É um instituto pequeno, mas com pessoas idealistas. Isso é importante para convencer outros cooperantes a entrar nesse setor. Para nós, o instituto é importante na cooperação. O Instituto Sem essa parceria seria bem mais limitada.

Como o senhor avalia o projeto Estádios Solares, elaborado pelo Instituto Ideal para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014?

Helmut Gauges _ A copa tem uma grande Publicidade no Brasil e no mundo. Com esse tipo de projeto de estádio solar o país pode mostrar ao mundo que é pioneiro nessa tecnologia, o pais é do futuro da energia solar. Esse poderia ser o símbolo de um papel futuro do Brasil. A energia solar é uma tecnologia apropriada para o Brasil, um país que tem muito sol. Achamos que essa também é uma oportunidade para o mundo conhecer um outro lado do Brasil, um país que cuida bem do meio ambiente, de tecnologia, que não é somente produtor de soja e sedia uma Amazônia.

Como a Alemanha Evoluiu nessa tecnologia?

Helmut Gauges _ Nós já temos muita experiencia com energia solar. No começo é sempre mais dificil, quando falta experiência é dificil convencer as empresas e institutos para aderir à tecnologia. Mas estamos muito felizes com o ingresso do Instituto Ideal e a Eletrosul nessa geração sustentável. Além disso, a Cemig de Minas Gerais, vai entrar também. Com a participação dessas três instituições, acho que poderemos ver alguns estádios, muitos talvez, com geração de energia solar. Com isso, esperamos que o Brasil ganhe a Copa e a Alemanha fique em segundo lugar (risos).

Qual foi o total investido pelo KfW dentro da Cooperação Brasil-Alemanha?

Helmut Gauges _ Os valores alcançaram 396 milhões de euros, uma parte em empréstimos e outra parte a fundo perdido. Os maiores cooperantes são o Ministério do Meio Ambiente, o BNDES, a Eletrobrás, Eletrosul e Instituto Ideal. Estamos muito vinculados com o setor de energia e projetos de proteção de florestas tropicais da Amazônia. Esses números que falei são do Banco de Desenvolvimento. Além disso, temos duas subsidiárias no grupo, com escritório em São Paulo, que oferecem empréstimos para empresas privadas, incluindo médias e pequenas.Temos uma subsidiária responsável pelo financiamento de exportação, cooperação e desenvolvimento.

Como são os juros para empresas médias e pequenas?

Helmut Gauges _ favoráveis São Paulo, mais um pouco baratos do que o mercado. Há incentivo, mas as condições não são tão favoráveis quanto um banco de desenvolvimento. Nossa idéia, quando trabalhamos com governos, é incentivar a energia solar, que ainda não tem viabilidade econômica.

O mundo está se recuperando da crise financeira global, mas a Grécia segue com dificuldades. Como o senhor avalia o problema grego?

Helmut Gauges _ A Europa tem países fortes e terá Solidariedade com o povo grego. A Grécia vai passar um tempo muito duro, seu povo vai sofrer muito nos próximos anos porque mantinha um nível de consumo acima do seu nível de produção. Terá que se Ajustar.

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