Lan Houses desafiam o preconceito e viram opção para serviços
Experiências em pequenas cidades ou grandes capitais mostram como as lan houses podem facilmente se transformar em ferramentas educacionais ou de acesso facilitado a serviços públicos. A chave está em aproveitar a capilaridade dos estabelecimentos, que são como a maior parte dos internautas brasileiros acessam à internet.
Em Estância, cidade de 60 mil habitantes de Sergipe, a prefeitura lançou há um ano um programa em que financia o acesso de estudantes de escolas públicas municipais – e recentemente também estaduais – para que eles façam pesquisas na internet via lan houses. Um tíquete é distribuído aos estudantes, permitindo que elas utilizem cinco horas de pesquisa e uma hora de lazer por mês nas lojas de acesso à rede.
“Incentivamos a criação de uma associação de lan houses, que hoje reúne 21 delas, metade dos estabelecimentos da cidade, e distribuímos os tíquetes aos estudantes, fazendo uso da internet para alavancar o conhecimento e, ao mesmo tempo, como forma de incentivo econômico”, explica o prefeito de Estância, Ivan Leite, que nesta terça-feira, 30/3, mostrou a experiência na Comissão Especial da Câmara que discute um marco legal para as lans.
Com os tíquetes, os alunos podem escolher qualquer uma das lan houses da associação – pois o contrato da prefeitura é com a entidade – o que, no entender do prefeito, colabora para criar uma competição saudável entre as lojas, fomentando a qualidade.
Outra experiência apresentada na comissão foi do uso das lan houses pela prefeitura de Salvador como instrumento para a emissão de documentos, especialmente no pré-licenciamento de empresas.
“Com o uso de 33 lan houses, porque pegamos apenas aquelas formalizadas, o prazo médio de emissão do principal documento, o termo de viabilidade de localização, caiu de 60 dias para 12 dias, ao mesmo tempo em que o número de termos emitidos passou de 800 para mais de 3 mil por mês”, conta o superintendente de Controle e Ordenamento de Uso do Solo de Salvador, Cláudio Silva.
Experiências como essas, no entender dos participantes da audiência pública, são fundamentais para a eliminação da imagem negativa que ainda prevalece sobre esses estabelecimentos.”As lans começaram como casas de jogos, mas com o tempo mudaram radicalmente de atividade, mas o estigma ficou”, lamenta Paulo Eirado Dias Filho, do Senac de Sergipe.
Ele lembra que as lan houses podem agregar, junto ao serviço de acesso à internet, pelo menos quatro eixos de atividade: serviços públicos, como a emissão de título de eleitor, de documentos como no caso de Salvador, ou mesmo para fazer a declaração de imposto de renda; atividades comerciais, como correspondente bancário, venda de passagens, classificados; educação, por palestras online, pesquisas acadêmicas, cursos profissionalizantes; e em suporte social, como o uso de redes sociais ou simplesmente para apoio a e-mails ou pesquisa de preços.
“As lan houses são ferramentas fundamentais num país como o nosso em que elas são usadas por 82% de quem ganha até um salário-mínimo e acessa a internet. No Nordeste, elas são a forma de acesso para 68% dos internautas, no Norte, para 66%”, pondera Paulo Eiraldo Dias Filho.
(Convergência Digital, 30/03/2010)
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