Bancos gastaram R$ 19,4 bilhões com TIC no Brasil
Mesmo impactadas pelos efeitos da crise financeira mundial, as instituições financeiras brasileiras gastaram, em 2009, 6% a mais em Tecnologia em 2009, do que o apurado em 2008.
A área com maior gasto foi Telecomunicações, um incremento de 35%, impulsionada pela Banda Larga. Já a contratação de software de terceiros e o desenvolvimento de software em casa, ou seja, ‘in house’, registraram a maior queda.
A retração mudou o modelo de gastos: No ano passado, 75% dos aportes foram para gastos com TIC e apenas 25% foram considerados ‘investimentos’. Até 2008, esse índice ficava em torno de 67% e 33%, respectivamente.
Os dados fazem parte da pesquisa “O Setor Bancário em Números”, produzido pela Federação Brasileira de Bancos, Febraban, divulgada nesta quinta-feira, 27/05, para marcar o lançamento da 20ª edição do CIAB 2010, evento que acontece de 09 a 11 de junho, na capital paulista.
A crise financeira mundial impactou os gastos dos bancos, o maior responsável pelas compras de TIC no Brasil. Tanto é assim que de 2007 para 2008, houve um incremento de 11%, passando de R$ 16.5 bilhões para R$ 18,35 bilhões. Em 2009, o aperto foi uma realidade. O crescimento ficou em 6% e o total gasto, somando hardware, software, telecomunicações e infraestrutura, foi de R$ 19,4 bilhões.
“Não tenho dúvida que a crise financeira mundial, principalmente a sentida no último trimestre de 2008, resultou num modelo diferenciado de gastos nos bancos no ano passado. Houve uma busca por otimizar os recursos”, detalhou o diretor de tecnologia da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Gustavo Roxo.
Apesar do aperto, os bancos têm papel crucial no mercado de TIC. Para se ter uma ideia, o montante investido nos 12 meses de 2009 é superior ao que foi aportado na área nos últimos seis anos pelo governo Lula – R$ 18,2 bilhões, sendo que a maior parte desses recursos foi aportado nos próprios feudos governamentais – Serpro, Dataprev e outros.
Na divisão dos gastos com TIC em 2009, a área de infraestrutura – onde há grandes aportes na área de virtualização, o que pode viabilizar, por exemplo, uma adesão à computação em nuvem – registrou também um incremento, passando de R$ 890 milhões em 2008 para R$ 2.065 bilhões. A área de hardware, por sua vez, registrou uma ligeira queda – em 2008 os bancos gastaram R$ 5,197 bilhões. No ano passado, esse gasto ficou em R$ 5,187 bilhões.
A área que mais cresceu – impulsionada pela necessidade de se contratar link de banda larga – foi a de telecomunicações. Em 2008, os bancos gastaram R$ 3,118 bilhões, abaixo do registrado em 2007, R$ 3,25 bilhões. Nesses gastos estão todos os serviços, voz fixa e móvel e internet. Em 2009, no entanto, houve um salto de 35%, chegando a R$ 4,136 bilhões.
Esse aumento é justificado pelo crescimento do uso interno e externo da Internet no segmento financeiro. O Internet Banking,inclusive, ja é o segundo colocado na realização de transações bancárias, respondendo por 20% das operações – 9,3 bilhões do total de 47 bilhões de transações, registradas no ano passado. Os caixas eletrônicos são o principal meio de relacionamento com os correntistas, respondendo por 1/3 das transações totais.
O levantamento mostra ainda que o número de contas-correntes e de poupança abertas em 2009 cresceu 19% desde 2007 (134 milhões e 91 milhões, respectivamente), taxa bastante similar aos 18% de expansão das contas de internet banking.
No ano passado, o Brasil somou 35 milhões de contas de Internet Banking. Sendo que as pessoas jurídicas, responderam por 4,7 bilhões de transações online. Já as pessoas físicas, ficaram com 4,6 bilhões de transações. “Isso nos dá a certeza que o relacionamento com os clientes está cada vez mais virtual. Cada correntista é um usuário Web. Isso demanda infraestrutura e comunicação”, sustentou o diretor de Tecnologia da Febraban, Gustavo Roxo.
< A área que mais perdeu investimentos - onde houve queda nos gastos foi a de software. O software desenvolvido em casa, o chamado software 'in house', em 2008, representou um custo de R$ 2,18 bilhões.
Em 2009, esse gasto caiu para R$ 1,77 bilhões. Já os software contratado de terceiros também ficaram em baixa. Em 2008, os aportes ficaram em R$ 5.13 bilhões. Em 2009, esse montante caiu para R$ 3,576 bilhões. Para Gustavo Roxo, a explicação nessa redução pode estar, exatamente, na crise financeira.
"Em 2008, houve mais investimento em aplicação. Em 2009, por causa da crise, a decisão dos bancos pode ter sido a de manter as soluções em operação", sinalizou o diretor da Febraban. Para 2010, até em função do ritmo da economia nacional, a tendência é que os gastos com TIC voltem para a casa dos dois dígitos, prevê ainda Gustavo Roxo.
(Ana Paula Lobo, Convergência Digital, 27/05/2010)
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