Microalgas viram biocombustível com tecnologia de Santa Catarina
Uma empresa de Blumenau gerou uma tecnologia para cultivar microalgas e, com elas, produzir biodiesel e produtos para indústrias alimentícias e farmacêuticas. A H2ALL Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em Energias Renováveis desenvolveu a novidade com recursos do programa Sinapse de Inovação, financiado pela FAPESC e FINEP.
Executado pela Fundação Certi, o programa teve por objetivo transformar boas idéias em negócios de sucesso e contou com mais de R$ 6 milhões em recursos aplicados em dezenas de empresas nascentes. A H2ALL foi uma delas e recebeu R$ 50 mil para iniciar o processo de transformar a pesquisa em negócio.

“A Fapesc nos proporcionou não apenas a execução de um projeto de cunho tecnológico, mas a realização de um sonho. Ele hoje representa nossa empresa como nosso cartão de visitas” comentou Aline Dal Conti Lampert Laux, sócia da H2ALL.
Os resultados do projeto financiado pelo Sinapse terá aplicação indireta na modernização da matriz energética brasileira, acredita outro sócio – Luiz Alessandro da Silva, pesquisador na área de biocombustível com ênfase nos processos de produção de biomassa microalgal.
Oferecemos não o biocombustível, mas a tecnologia para a sua produção. O Brasil tem conhecimento tecnológico suficiente para iniciar e impulsionar a produção de biocombustível em escala comercial. Nesse contexto, a utilização de microalgas para a produção de biocombustível surge como uma excelente alternativa ao cultivo de oleaginosas tradicionais” disse Luiz Alessandro da Silva, sócio da H2ALL.
A soja é a oleaginosa mais usada no Brasil para produzir biodiesel. O país colheu uma safra recorde em 2009/2010 (68,7 milhões de toneladas) e parte dela foi usada para garantir 85 por cento da produção nacional de biodiesel. Mas já se fala em reduzir o plantio no Mato Grosso, atual principal produtor do grão e buscam-se outras matérias-primas para assegurar a possibilidade de se misturar 5 por cento de biodiesel no diesel. Estudos sobre o uso da palma – cujo conteúdo de óleo é maior que o da soja – estão sendo conduzidos, porém mesmo que sua viabilidade for comprovada, trata-se de uma cultura agrícola que requer certo tempo para atingir o ponto de colheita.
As microalgas crescem muito mais rapidamente e permitem maior produção de biocombustível, além de apresentar vantagens ambientais. Com a tecnologia gerada pela H2ALL, seria usado o gás carbônico das emissões gasosas industriais, como fonte de carbono para a alimentação das microalgas. A biomassa extraída do processo de cultivo servirá para a produção de biocombustível por craqueamento térmico e de biocomposto por extração, o qual pode ser empregado na indústria alimentícia e farmacêutica.
Com informações da assessoria de imprensa da FAPESC
(Rodrigo Lóssio, TISC, 09/07/2010)
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