Depuradora torna consumo de ostras mais seguro
Há cinco anos, o pesquisador Carlos Rogério Poli, professor aposentado do Departamento de Aquicultura, desenvolveu a primeira depuradora de ostras do estado, com capacidade para 1.000 litros de água e 200 dúzias de ostras. Com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Laboratório de Virologia Aplicada da Universidade Federal de Santa Catarina está testando novas depuradoras com capacidade para 300 litros de água e 50 dúzias de ostras. A proposta é que as depuradoras sejam vendidas para restaurantes litorâneos e também para os que não ficam próximos da orla.
Os primeiros testes, ainda em 2005, foram realizados pelo Laboratório de Virologia Aplicada, com ostras contaminadas em laboratório com a bactéria salmonella, que foram colocadas na depuradora com água esterilizada em uma associação de cloro e luz ultravioleta. Após 12 horas, as ostras estavam descontaminadas e próprias para consumo. Já o teste com adenovírus mostrou que eram necessárias 96 horas de depuração para que o molusco ficasse descontaminado.
A iniciativa de criar a depuradora surgiu da necessidade de soluções para a contaminação das ostras, que fosse além de pesquisas sobre a qualidade das águas nos sítios de cultivo. A pesquisadora Célia Regina Monte Barardi, coordenadora do Laboratório de Virologia Aplicada, explica que ao invés de apenas mostrar o problema da contaminação, buscava-se uma maneira de ajudar o maricultor a melhorar a qualidade das ostras cultivadas e consumidas pela população. Por serem animais filtradores, as ostras absorvem tudo da água em que estão, sejam bactérias ou nutrientes, portanto uma das maneiras de descontaminá-las é através da depuração, colocando-as em água limpa, para que fiquem livres de vírus, bactérias e qualquer outra sujeira.
Florianópolis é conhecida como “Capital nacional da ostra”, sendo responsável pela maior parte da produção nacional. A ostra é um alimento rico em proteínas, zinco e com pouca gordura. O zinco faz bem para a pele e para os cabelos, além de estar presente na formação óssea, sendo por isso um alimento importante para crianças, pois ajuda no fortalecimento dos ossos. Jane Parisenti, mestre em nutrição pela UFSC, explica que “ao contrário do que se pensava, ela não é rica em colesterol, o que aumenta isso são outras fontes de colesterol usadas no preparo, quando se coloca bacon, por exemplo”.
Ostras podem ser consumidas cruas ou cozidas, sem alteração na quantidade de nutrientes e vitaminas, além de ser um substituto da carne vermelha na alimentação. No entanto, uma pesquisa publicada no Brazilian Journal of Infectious Diseases alerta que o consumo de ostras cruas ou mal cozidas deve ser evitado, devido à presença de microorganismos como o Vibrio parahaemolyticus, causador de gastroenterite. Para ler o artigo na íntegra, em inglês, clique aqui.

(Monique Nunes, Ciência em Pauta, 09/07/2010)
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