Uma atividade básica do cotidiano ficará mais acessível aos deficientes visuais: a máquina de lavar poderá executar sua função a partir de comando de voz. Operações que antes eram feitas manualmente, como a limpeza feita pelas companhias de energia nos isoladores elétricos de linhas de alta tensão e a soldagem na indústria naval, serão automatizadas com o desenvolvimento de robôs. Tecnologias desenvolvidas nos laboratórios da UFSC e da Udesc aliam pesquisa e mercado.

Lavadora será comandada por voz

Tecnologia que gera independência e inclusão. Um projeto do Laboratório de Pesquisa em Sistemas Embarcados da Udesc/Joinville tem o objetivo de facilitar a utilização de uma lavadora de roupas por portadores de deficiência visual e idosos. É um exemplo da chamada tecnologia assistiva, que busca facilitar a realização de uma tarefa básica para pessoas com deficiência.

A equipe desenvolve interfaces para adaptar uma máquina convencional às necessidades do público alvo. Ao invés de ser comandada por um painel visual, ela receberá as ordens para lavar por comando de voz. Além disso, um sensor será capaz de classificar as roupas por cores, para que a pessoa combine as peças sem misturar os itens claros, escuros ou coloridos. O sistema de voz avisa a etapa da lavagem, a tonalidade da peça e permite que o usuário programe a máquina.

Estão em desenvolvimento, no laboratório, o hardware para a detecção de cores e reprodução e amplificação de áudio, além do software que fará a integração com o hardware.

O co-coordenador do projeto, professor Fábio de La Rocha, explica que o protótipo foi pensado inicialmente para submeter à competição do Prêmio Inova 2007/2008 na categoria Eletrônica, mas que depois se tornou um projeto acadêmico. A equipe conquistou o primeiro lugar no concurso, que abrange a inovação em engenharia e design e é realizado pela Whirlpool Latin America, subsidiária da maior fabricante mundial de eletrodomésticos.

Mais segurança e qualidade na limpeza de isoladores de alta tensão

Os ventos marítimos constantes no litoral maranhense pedem um cuidado maior na limpeza dos isoladores de energia elétrica. A água da chuva não é suficiente para lavá-los. “Lá, eles passam seis meses do ano limpando. O vento acumula salitre, e as vias (e os postes) ficam bastante próximas ao mar, como, por exemplo, na praia do Moçambique, em Florianópolis”, declara o professor de engenharia mecânica e integrante do projeto, Henrique Simas. O sal é um condutor e se acumula nos isoladores, podendo provocar curtos circuitos ou perda de energia, caso o isolamento fique comprometido.

Os departamentos de Automação e Sistemas e Engenharia Mecânica da UFSC desenvolveram o protótipo de um robô para lavagem de isoladores em linhas de alta tensão (13,8KV), a pedido da Gerência de Planejamento da Companhia Energética do Maranhão (Cemar). “Havia uma preocupação se a limpeza era feita de forma correta”, afirma Simas. Como o caminhão para na rua, paralelo à calçada, o braço hidráulico não conseguia lavar o outro lado do isolador corretamente. A equipe reprojetou o braço do limpador para alcançar as partes mais difíceis.

Outra solução para otimizar o processo foi a instalação de uma câmera. O operador observa numa tela o que está acontecendo e direciona a limpeza por um controle wireless. O processo é feito com as linhas vivas (energizadas), e o sistema sem fio evita que o operador toque nas partes metálicas do caminhão. “Se houver alguma fuga de corrente, ele está mais protegido”, garante Simas. Depois da limpeza, a câmera permite conferir o resultado.

“A gente automatizou o processo deles, que era manual. O que caracteriza o robô é ele ser programável. Ele tem flexibilidade de operar de formas diferentes”, explica Simas. O desenvolvimento do sistema durou dois anos e terminou em janeiro de 2010.

Automatização da soldagem nos estaleiros

A soldagem é utilizada em larga escala na indústria naval, da construção da estrutura das embarcações, como a fabricação do casco, à união de tubulações internas do navio e ao acabamento. Esses componentes são feitos de materiais distintos e têm espessuras e formatos diversos, o que torna necessária a utilização de diferentes técnicas e procedimentos de soldagem.

Uma equipe do Laboratório de Soldagem do curso de Engenharia Mecânica da UFSC (Labsolda), coordenada pelo professor Jair Carlos Dutra, trabalha para automatizar a soldagem na indústria naval, reduzindo o tempo gasto nas operações. O robô com a pistola de soldagem será montado sobre trilhos, para garantir maior flexibilidade de movimentos e melhor adaptação às diferentes superfícies. Os trilhos devem ser fáceis de montar e remontar, facilitando a logística.

A modalidade de soldagem mais utilizada atualmente nos estaleiros requer operação manual. Portanto, o projeto tem o objetivo de propor novos procedimentos de soldagem, buscando a automatização do processo e o aumento da produtividade. Serão desenvolvidos procedimentos específicos para as diferentes aplicações da indústria naval. O sistema vai automatizar as tarefas repetitivas, para que possam ser realizadas novamente com alta qualidade.

O Labsolda prevê a construção do robô e o desenvolvimento de plataforma de hardware e software de controle. O projeto é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), tem o orçamento de R$ 633 mil e deve ser concluído até julho de 2012.

Fim dos constrangimentos na hora da baliza

O aluno de Engenharia de Controle e Automação da UFSC Daniel Lima desenvolveu um sistema desejado por muitos motoristas: o mecanismo ajuda a manobrar o automóvel.

O condutor aciona o dispositivo em uma tela posicionada no painel do carro, e o sistema procura uma vaga adequada, com o auxílio de sensores. Encontrada a vaga, o mecanismo gera uma trajetória para o veículo. O projeto foi realizado com a orientação do professor Leandro Buss Becker. Leia aqui reportagem sobre o sistema.

(EconomiaSC, 20/07/2010)

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