Eleição é momento. Cada uma tem suas características e particularidades. Até mesmo por que a cabeça do eleitor trabalha de maneira diferente conforme o momento social vivido e as prioridades de cada um (seus sonhos, desejos, anseios e necessidades).

Por isso, trabalhar com Marketing Político exige dedicação e um certo feeling. Estudo também (embora não exista ainda, no Brasil, formação acadêmica específica).

Em 2008, assistimos ao “Efeito Obama”. Uma guinada brusca na forma de se pensar Marketing Político. Principalmente no que diz respeito à utilização da internet como meio de comunicação. Se antes, as ideias eram transmitidas “de cima pra baixo”, construídas por um seleto grupo de pessoas, a primeira eleição presidencial de um afrodescendente na maior potência mundial foi além dos significados ideológicos e raciais. Dois mil e oito foi à celebração da transparência, da construção democrática de debates, projetos e programas. Uma “eleição com mensagem”: uma mensagem de mudança, de esperança, de tolerância e renovação. Se não foi o suficiente para se traduzir em um governo de sucesso, ao menos deixou um grande legado.

Em 2010, o Brasil tentava repetir a bem-sucedida experiência Norte Americana. Candidatos a deputado, senador, governador e presidente puderam experimentar o “jeitinho brasileiro” de fazer Marketing Político na web. Vimos surgir uma série de perfis políticos no Twitter, Orkut, Facebook e Youtube. A grande maioria às vésperas do pleito – da forma mais improvisada possível – e abandonados logo depois.

Os resultados desse “laboratório” foram tímidos (quando não desastrosos), e nos deixaram algumas lições. No modelo utilizado pela maioria das campanhas, em que as tecnologias foram apenas canais para fazer propaganda estática das propostas, faltou principalmente interatividade. Utilizar a internet – e, principalmente, as redes sociais – não tem sentido se não possibilitar uma via de duas mãos entre o político e seu eleitorado.

O usuário está muito mais preparado para as “eleições 2.0” que os próprios candidatos. Se uma pessoa segue um político no Twitter, tem interesse em conhecer seu trabalho e suas propostas. Quando ela fizer uma pergunta, crítica ou sugestão é fundamental que tenha uma resposta – diferente do que ocorreu na maioria das vezes. De acordo com pesquisa do IBOPE, entre 2009 e 2010, a taxa de domicílios com internet no Brasil saltou de 27 para 31%. Hoje, somando domicílios e trabalho, o percentual é superior a 45%. Se considerarmos o Sul e Sudeste, o uso da internet é ainda mais difundido. Na classe A brasileira, a cobertura é superior aos 90%.

Ainda de acordo com o IBOPE, um em cada quatro brasileiros de 10 anos ou mais acessa a internet diariamente. Somos recordistas mundiais em permanência na Web. E um dos países mais presentes nas redes sociais: estamos no páreo não somente no Orkut, mas também Facebook e Twitter. Nove em cada 10 usuários brasileiros acessam redes sociais com frequência.

Se 70% dos consumidores pesquisam na internet sobre um produto antes de realizar a compra, a decisão do voto não deve “passar batida” pela rede. Nas eleições de 2010, segundo o IBGE, a internet já foi a segunda principal fonte de informação na decisão do voto. A influência da rede mundial de computadores é surpreendente: já se compara aos jornais e rádios.

Se as eleições passadas foram uma possibilidade de laboratório de tentativas e erros, o mesmo não acontecerá em 2012. Será preciso, cada vez mais, profissionalismo e qualidade na produção de conteúdo relevante para o público. Quem não estiver perfeitamente alinhado com as novas tecnologias – mesmo nas pequenas cidades – deve se preparar para perder espaço. A web deixou de ser privilégio de poucos e já se firma como meio de comunicação de massa.

A internet será ainda mais importante nas disputas proporcionais, onde não se tem tempo suficiente de televisão. Candidatos a vereador têm muito a ganhar recorrendo a sites, blogs e redes de relacionamento para expor suas ideias, expandir seus contatos e – ressaltamos mais uma vez – ouvir o que as pessoas têm a dizer.

É certo que a web, sozinha não ganha à eleição. Ela não substitui o corpo-a-corpo, os debates televisivos, a propaganda eleitoral gratuita e a distribuição dos ecologicamente incorretos santinhos. Mas deve ser uma ferramenta estratégica indispensável.
Durante anos, falou-se que a televisão iria matar o rádio. Que a internet iria acabar com os jornais impressos. Que o compartilhamento de músicas iria extinguir a indústria fonográfica em menos de uma década. E o que, de fato, aconteceu? Os meios de comunicação tradicionais se adaptaram às novas realidades. E, ao invés de confrontar diretamente os novos modelos, se tornaram aliados da tecnologia. Assim surgiram os jornais on-line e o iTunes, por exemplo.

A internet vai “aterrissar” de vez nas eleições 2012. E, pelo jeito, veio para ficar.

Por Jonathan Corrêa Becker – Empresário e Consultor Político (becker@edencomunicacao.com.br) e Emerson Teixeira – Jornalista com especialização em Marketing e Comunicação Corporativa (lidermktpolitico@gmail.com)

(Jornal Metropolitano, 27/01/2012)

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